
O 武士道 Bushidō não existiu como uma ideologia unificada, código de leis oficial ou um manual universal para os Samurai. Trata-se, na verdade, de um mito criado e romantizado ao longo dos anos. Historicamente, os guerreiros do Japão feudal tinham códigos de honra informais e fluidos, baseados em tradições locais e do clã, com influência do Shintoismo, Budismo e do Confucionismo. O conceito do Bushidō unificado só foi “inventado” no final do século XIX, durante a Era 明治 Meiji (1868- 1912). O livro 武士道:日本之魂 Bushidō: Nihon No Tamashī (Caminho do guerreiro: A Alma do Japão), escrito pelo acadêmico 新渡戸稲造 Inazo Nitobe em 1900, foi escrito para explicar a cultura japonesa ao Ocidente e acabou sendo o propagador dessa ideia. Ao fazer isso, ele misturou a realidade dos Samurai com os ideais ocidentais de “cavalheirismo” medieval.
Certamente Inazo Nitobe, como outros escritores contemporâneos, foram influenciados por obras antigas, como o 武道初心集 Budō Shoshinshū de 大道寺友山 Daidoji Yuzan (1639), 五輪書 Gorin No Shō de 宮本武蔵 Miyamoto Musashi (1645) e o 葉隠 Hagakure de 山本常朝 Yamamoto Tsunetomo (1716), exemplos populares, porém existem outras obras que relatam condutas, filosofias e éticas dos guerreiros do antigo Japão.
A atual ideia de Bushidō ficou conhecido pelos princípios fundamentais que “teoricamente” os Samurai seguiram, que são oito virtudes:
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- 義 GI (Justiça): aderência ao caminho justo, justiça pública e caminho justo;
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- 勇 Yu (Coragem): espírito de coragem destemida e perseverança;
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- 仁 Jin (Compaixão): benevolência e amor;
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- 礼 Rei (Respeito): sinceridade e respeito pelos outros;
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- 誠 Makoto (Honestidade): integridade, fidelidade, boa fé;
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- 名誉 Meiyo (Honra): pureza e proteção da dignidade pessoal;
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- 忠義 Chugi (Lealdade): devoção ao senhor;
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- 克己 Kokki (Autocontrole): autodefesa, autodomínio, autolimitação, autonegação e disciplina.
Muitas pessoas relacionam essa conduta de forma romântica e até ingênua, acreditando que os 武士 Bushi eram pessoas tão rígidas e inflexíveis, que ignoravam o extinto de sobrevivência e estratégia guerreira. Ironicamente, o próprio Miyamoto Musashi é descrito em suas estórias, como um guerreiro nada convencional nos métodos de guerrilha.
Assim, apesar de certamente haver comportamentos regrados dentro do convívio dos guerreiros da época, não devemos rotular a conduta desses militares de forma a padroniza-las.