BANSENSHÛKAI

Bansenshuukai

 

萬川集海

 

BANSENSHÛKAI


“Para alcançar a verdadeira essência da arte 忍者 Ninja é necessário começar a eliminar o supérfluo para alcançar uma condição pessoal básica da pureza espiritual, e mover-se livremente sem ser influenciado entre os reinos polares da luz e das trevas, como é requerido pelo esquema da totalidade”.


Segundo a observação de 藤林保武 Fujibayashi Yasutake (tbém. Yasuyoshi), isto é o que significa ser um Ninja. Na sua obra, certamente a mais completa remanescente sobre espionagem de transmissão escrita secreta (伝承 Denshô) de 伊賀 Iga e 甲賀 Kôga Ninjutsu, que foi compilado no quarto ano de 延宝 Enpô (1676), Fujibayashi tem ressaltado que o ultimo propósito da arte do Shinobi não reside no mero aperfeiçoamento de métodos violentos e destrutivos, mas, no cultivo da harmonia pessoal com o ambiente que circunda e uma sensibilidade intuitiva que permite o mortal ser humano de conhecer e harmonizar-se com o esquema da totalidade que flui através do universo.

O 萬川集海 - 万川集海 Bansenshûkai ou Mansenshûkai, traduzido literalmente como “Dez mil rios deságuam no mar”, é um conjunto de conhecimentos e comentários sobre atitudes dos diversos sistemas dos clãns espiões que prosperaram nas regiões de Iga e Kôga do Japão centro-meridional. É importante ressaltar que essas duas regiões não foram as únicas a abrigar esses guerreiros.  A obra original foi compilada pelo Yasuyoshi Fujibayashi no verão de 1676, durante o reinado do 将軍徳川 Shogun Tokugawa. Fujibayashi foi membro de uma das três mais influentes famílias Ninja de Iga, a família 服部 Hattori e 百地 Momochi eram as outras duas famílias mais importantes no fim do 戦国時代 Sengoku Jidai (Período de guerras civis).

O Bansenshûkai na versão de Kôga tem vinte dois capítulos compilados em dez volumes com um volume adicional. A versão de Iga tem vinte dois capítulos compilados em doze volumes com quatro capítulos adicionais em quatro volumes. Na seqüência é relatado o conteúdo das vinte e duas seções em japonês e um resumo do conteúdo dividido em dez volumes mais comumente encontrado ou relatado.

O primeiro dos dez volumes manuscrito contém uma introdução, exemplos históricos, um índice do conteúdo e uma seção de questões e respostas. Os princípios filosóficos do Ninja são apresentados neste primeiro volume intitulado 目録問答 Mokuroku Mondô (lista de perguntas e respostas) com uma discussão de como guerreavam com sucesso. O Ninja vem lembrado que quando um líder, verdadeiramente guia a mente dos seus seguidores, até mesmo um número grande de adversários pode ser vencido.

Quando os seguidores de um líder ou um comandante não estão em sintonia com os seus pensamentos, se obterá seguramente o fracasso e a derrota. Um espião ou um agente de contra espionagem pode levar um exército inteiro à derrota. Por isso, o Ninja acreditava que uma única pessoa podia derrotar mil outras.

O segundo volume, com duas seções, é intitulado 正心 Seishin: Seishin Jô 正心 (上) e Seishin Ge 正心 (下) e discute a sinceridade, a motivação e a força moral da intenção necessária ao Ninja. Antigamente a habilidade da arte de espionagem incluía certamente métodos que qualquer um definiria como: “Traição, engano, furto e fraude“, uma formulação precisa de planos e prospectiva vem apresentado primeiro de mostrar as técnicas. Hoje, como no século precedente, a maioria das pessoas relaciona ou acredita que qualquer criminoso, mercenário ou terrorista que usa uma roupa negra e um capuz possa ser chamado de Ninja. Alguns vão notar que as técnicas e a pratica tem aparência similar, mas o verdadeiro Ninja se diferencia pela sua motivação, os propósitos e as visões da meta. O simples terrorista ou mercenário é limitado em um conjunto de referência e conceito estreito do quadro inteiro do qual as suas ações, reações e pensamentos constituem uma parte essencial. O verdadeiro Ninja é inclinado para agir através de uma realização pessoal de responsabilidade reconhecível somente através de uma consciência intuitiva que o destino demanda a sua participação. O primeiro passo na educação do Shinobi, seja em ambos os processos chamados 忍術 Ninjutsu ou 忍法 Ninpô, consiste na libertação de qualquer turbamento mental ou espiritual que posa interferir com o senso da consciência inata do Ninja. Igualmente o mais hábil dos Ninja é incapaz sem um guia e o comando de um líder efetivo.

O terceiro volume 将知 Shochi (Guia para comandantes), dividido em quatro seções, compreende os métodos para dirigir uma organização de Ninja e o modo para usar com sucesso o mesmo. Este terceiro volume descreve também a consideração para evitar que o agente inimigo se infiltre na organização clandestina do líder.

Uma ativa consciência do equilíbrio 陰陽 In e Yo (Chinês: Yin e Yang) são fundamentais para a verdadeira consciência da arte do Shinobi. 陽忍 Yo Nin (陽術 Yojutsu), é o quarto volume, dividido em três seções, chamado: 上 Jô, 中 Chû e 下 Ge se ocupam do Yo, ou parte luminosa dos poderes dos Shinobi. Usando os poderes dinâmicos e positivos do intelecto e do pensamento criativo, o Ninja pode obter as informações compreensivas de qual tem necessidade sem se envolver fisicamente (autossugestionar) em quanto estiver operando. Empregando outros diretamente ou indiretamente para obter o seu resultado, o Ninja conhece todos os aspectos necessários para uma eficaz decisão militar. Aprendendo a força e a deficiência do inimigo, o Ninja sabe como afrontar com sucesso enquanto conserva a atitude de que não fez nada ou de que não tomou nenhuma decisão.

O quinto volume do Bansenshûkai, dividido em cinco seções, todos intitulados 陰忍 In Nin (陰術 Injutsu), tratam do In ou o lado obscuro dos poderes do Ninja. Usando a furtividade, o engano, a tática para confundir, e o terrível ataque surpresa, o Ninja podia persuadir o inimigo sob o seu controle. Empregando métodos que, a maioria dos Samurai convencional daquela época considerava desonesto, desprezível e também covarde, o Ninja era livre para usar o engano, disfarce, combate noturno, mover-se furtivamente, capturar os lideres dos inimigos, e cativar as pessoas-chaves para eventuais traições de modo a alcançar o propósito. Os volumes cinco, seis e sete contem estes singulares métodos de combate do Ninja, de conflitos individuais a planos de ataque improvisados de grupos.

Os métodos de obscuridade listado no Bansenshûkai são na realidade palavras e linguagens especializadas (gírias) codificadas em forma de catálogo, como memorando para os membros qualificados dos clãs de espiões. As palavras e os símbolos são intencionalmente desta maneira confusas, no qual somente estudando com um legítimo mestre o adepto poderia conhecer o verdadeiro significado das descrições das técnicas.

O sexto e sétimo volume, 天時 Tenji é separado em 上 Jô e 下 Ge, inclui os métodos do espião para interpretar e avaliar as condições do ambiente circundante. Este conjunto de conhecimento inclui previsão do tempo, indicação da maré, fases lunares, e a determinação das direções e da posição mediante a observação das estrelas. Este volume tem a sua base na experiência de sistemas como o 五行説 Gogyô Setsu (Teoria dos cinco elementos), o 陰陽道 Onmyôdô (Princípios taoistas) e a adivinhação 易経 Ekikyô (O livro da Mutação, I Ching), derivado das observações cientificas e do folclore oriundo de sistemas indianos, tibetanos e chineses para pressagiar mudanças e os acontecimentos futuros.

O 忍器 Ninki é uma descrição dos equipamentos do Ninja, inicia com o volume oito e continua até o volume dez, intitulado 大尾 Taibi ou Conclusão, em vez do volume número dez. Isto talvez esteja de acordo com a crença adquirida pelo 忍術 Ninjutsu no número nove como meio de inspiração e guia para a iluminação. Este volume final pode ser considerado um texto adicional, também se pode dizer que o Bansenshûkai consiste em nove volumes.

No nono volume, há descrição do 登器 Toki, compreende os equipamentos de escalar do Shinobijutsu, e inclui uma ampla variedade de equipamentos que eram usados pelos espiões para sair e transpor sem perigo os muros dos castelos, árvores e laterais dos navios. O 水器 Suiki, baseado em grande parte das praticas piratas, compreende os equipamentos d’água do Ninjutsu. Os equipamentos descritos oferecem numerosos métodos para atravessar ou mover-se sobre o curso da água. O 開器 Kaiki do Shinobi e uma série de utensílios com o propósito de arrombar as construções fortificadas, castelos, e deposito. Vêm descritos objetos para romper fechadura, perfurar paredes e entortar portas.

De modo similar às escritas no volume cinco, seis e sete sobre técnicas de combate, os equipamentos dos Ninja vem apresentado no volume nove com dimensão física e especificação. Não tem nenhum fato na tentativa de ensinar o profano no uso correto dos equipamentos. Mostrando vários equipamentos como o 水蜘蛛 Mizugumo (Aranha d’água) que foi usado como equipamento para mover-se com segurança sobre áreas pantanosas, alagadiças e distribuindo completamente o peso do Ninja em uma área vasta de lama, água rasa e plantas, da mesma maneira que as raquetes de neve são usadas para cruzar sem perigo um caminho de neve fresca.

火器 Kaki, definido como “Equipamentos de Fogo”, completa a parte final do Bansenshûkai. A fórmula empregada neste ultimo volume compreende a preparação e o uso de explosivos, bombas fumegantes, medicina, narcóticos e venenos.

As instruções explícitas foram escritas no dialeto regional japonês e da área de Iga do século XVII, e isto dá uma idéia do quão difícil é a compreensão, equiparando a um individuo japonês instruído a antiga forma de linguagem escrita.

Todavia, a importante lição de historia não se resume nos conhecimentos das manifestações superficiais das técnicas, estratégias e armas como é descrito no Bansenshukai. O valor e eficácia real das armas históricas, estratégias de guerra e redes de comunicação não reside no aperfeiçoamento da habilidade catalogada em uma série de livros de consulta que foi usado a mais de trezentos anos.